A crise no YouTube, a empresa de um homem só e a classe média da internet

Recentemente, muito se tem falado à respeito desta crise no YouTube devido ao boicote que grandes empresas fizeram ao deixar de investir em publicidade na plataforma. Sem dúvidas a situação é alarmante, afinal milhares de creators dependem deste dinheiro para pagar suas contas e financiar seus projetos.
Durante muito tempo fui um creator hobbista e há dois anos este hobby passou à ser minha principal fonte de renda. Sei como é criar conteúdo apenas por diversão e por vontade de contribuir com a internet, e também sei como é ter que postar muitos vídeos para que desta forma a plataforma te mantenha relevante e sua receita aumente.
Ao contrário do que muitos pensam, fazer parte da classe média da internet não é algo fácil. Você precisa trabalhar duro para produzir conteúdo e considerando o valor pago pelo AdSense (principal fonte de receita de muitos canais, inclusive o meu) fica incapacitado de contratar pessoas para te ajudar. Assim, nos tranformamos em uma especie de cavalheiro solitário ou como costumo me definir, a empresa de um homem só.
Sim amigos, por mais amor que você tenha em fazer vídeos, textos, ou qualquer outra coisa na internet, o creator também se cansa. Pois por trás de cada vídeo postado, há horas de dedicação roteirizando, gravando, editando, fazendo thumbnails, divulgando, estudando o Analytics, respondendo emails e comentários, atendendo inscritos e empresas, planejando os próximos passos e repetindo este ciclo dia após dia, semana após semana, ano após ano. E atrelado à isso, existe todos os outros fatores relacionados à vida pessoal, família, faculdade, etc…
Assim como à grande maioria dos creators independentes, não existe um dia que eu acorde ou vá dormir pensando no meu canal, nos vídeos que devo produzir, nos posts que devo publicar. Parece difícil né?

Lembra da crise que citei no começo deste texto?
Por mais que seja totalmente contra ao fato de que o dinheiro deva ser o principal motivador de criar conteúdo na internet, as contas precisam ser pagas. Toda essa rotina que citei acima custa algo – fisicamente, psicologicamente e monetariamente – e além disso, precisamos constantemente nos reinventar, inovar e produzir. Não acredita no que eu estou falando?
Lembro desta semana ter lido a seguinte frase em um post do Facebook:
To a 03 meses sem feriado, sem fim de semana, sem parar. Mas valeu a pena!” – Daiana Oliveira (Cantinho dos Arteiros).
Ou ainda, lembro-me dos relatos doJefferson Meneses, que durante um ano passou noites sem dormir e horas trabalhando para que seu canal se desenvolvesse. Todos estes exemplos são de amigos e canais de sucesso e relevância no YouTube, que se esforçaram e tem crescido mesmo sem fazer parte de nichos mainstream da plataforma. Contudo, houve um custo à ser pago.
Tudo isso que fazemos envolve muito amor e dedicação, porém me preocupo que mentes criativas sejam suprimidas pela falta de recursos e a obrigação de continuar produzindo para se manter relevante e bem indexado.
Sei que o YouTube tem se esforçado para reverter esta situação e atrair os anunciantes, porém o foco deste texto não é uma crise passageira, mas sim os impactos que situações como essa podem causar nos influenciadores. Ficamos alarmados sobre como isso pode nos afetar e preocupados com toda essa instabilidade, com isso podemos acabar perdendo a essência do porque criar conteúdo e no lugar, pensar apenas em como iremos pagar as contas ou na quantidade de dinheiro que estamos recebendo.
Torço para que isso não seja uma preocupação em minha rotina ou na de qualquer outro creator, afinal, fazemos isso por amor e nos dedicamos muito. Mas deixe-me ir…mais uma semana começou…mais um vídeo precisa ser postado…e o ciclo se repete.

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Allan Portes
Allan Portes

Estudante de Engenharia da Computação, designer há mais de 9 anos e criador do canal/website Pixel Tutoriais.

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